No coração de Ilhéus, no térreo do antigo prédio da Sefaz, ao lado da CDL, funciona a Central de Regulação da Secretaria de Saúde — local responsável pela marcação de exames da rede pública municipal. Apesar da importância do serviço, o que a população encontra ali é um cenário de precariedade e total descaso com o cidadão.
O espaço é pequeno, mal ventilado e visivelmente inadequado para a quantidade de pessoas que procura atendimento. Com apenas 10 cadeiras disponíveis, centenas de pacientes — muitos vindos de distritos como Lava Pés, Banco Central e Inema — enfrentam longas horas em pé ou sentados no chão, em busca de um simples agendamento.
Como se não bastasse, há apenas um único servidor atendendo a todos. A lentidão do processo e o acúmulo de gente tornam o ambiente angustiante. Idosos, gestantes e pessoas com deficiência enfrentam a mesma fila, sem prioridade no atendimento, contrariando normas básicas de respeito e acessibilidade.
“Volte semana que vem…”
Após horas de espera, o drama muitas vezes termina em frustração. As vagas para exames, limitadas e mal distribuídas, se esgotam rapidamente. Quem não consegue atendimento, ouve o temido: “Volte na semana que vem.”
“Isso é desumano. A gente sai de madrugada da zona rural, gasta com transporte, passa mal na fila e não consegue nem marcar exame?”, desabafa dona Marinalva, moradora do distrito de Aritaguá.
Centralização e sofrimento
Com o serviço totalmente centralizado nesse espaço improvisado no centro, o acesso à saúde se torna ainda mais excludente. Populações mais distantes são penalizadas pela falta de estrutura, transporte e condições dignas de atendimento.
População exige ação imediata
Moradores, usuários do SUS e lideranças comunitárias exigem medidas urgentes da Secretaria Municipal de Saúde:
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Descentralização da marcação de exames
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Ampliação da equipe de atendimento
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Instalação de um sistema de agendamento online
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Estrutura física adequada, com respeito às normas de acessibilidade
Enquanto nenhuma medida concreta é tomada, a população de Ilhéus segue adoecendo duas vezes: pela doença e pela humilhação.

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