domingo , 6 setembro 2026
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Três em cada dez brasileiros são analfabetos funcionais

Três em cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos não sabem ler nem escrever, ou sabem tão pouco que não conseguem entender frases simples, nem identificar números de telefone ou preços. São conhecidos como analfabetos funcionais. Esse grupo representa 29% da população, o mesmo percentual de 2018.

Os dados são do Indicador de Alfabetização Funcional (INAF), divulgados nesta segunda-feira (5), e alertam sobre a necessidade e a importância de políticas públicas voltadas à redução dessa desigualdade na população.

O INAF também apresenta outro dado preocupante. Entre os jovens, o analfabetismo funcional aumentou. Enquanto em 2018, 14% dos jovens entre 15 e 29 anos eram analfabetos funcionais, em 2024 essa taxa subiu para 16%. Segundo os pesquisadores responsáveis ​​pelo estudo, esse aumento pode ter ocorrido devido à pandemia, período em que as escolas ficaram fechadas e muitos jovens não puderam frequentar as aulas.

Níveis

O indicador classifica os indivíduos de acordo com seu nível de alfabetização, com base em um teste aplicado a uma amostra representativa da população. Os níveis mais baixos, analfabeto e rudimentar, correspondem, em conjunto, ao analfabetismo funcional. O nível elementar, por si só, corresponde à alfabetização básica, e os níveis mais altos, intermediário e proficiente, correspondem à alfabetização consolidada.

Segundo essa classificação, a maioria da população, 36%, está no nível elementar, o que significa que eles entendem textos de extensão média, fazem pequenas inferências e resolvem problemas que envolvem operações matemáticas básicas, como adição, subtração, divisão e multiplicação.

Outros 35% estão no nível de alfabetização consolidado, mas apenas 10% de toda a população brasileira está no nível mais alto, o proficiente.

Limitação severa

Segundo Roberto Catelli, coordenador de educação de jovens e adultos da Ação Educativa, uma das responsáveis ​​pelo indicador, não dominar a leitura e a escrita gera uma série de dificuldades e representa “uma limitação gravíssima”.

Catelli defende que políticas públicas são necessárias para garantir maior igualdade entre a população.

Um resultado melhor só pode ser alcançado com políticas públicas significativas não só na área da educação, mas também na redução das desigualdades e das condições de vida da população. Porque vemos que, quando permanecem nessa situação, continuam enfrentando uma exclusão que persiste e se reproduz ao longo dos anos.

A pesquisa também mostra que, mesmo entre aqueles que trabalham, a alfabetização continua sendo um problema: 27% dos trabalhadores do país são analfabetos funcionais, 34% atingiram o nível elementar de alfabetização e 40% têm níveis de alfabetização estabelecidos.

Mesmo entre aqueles com alto nível de escolaridade, com ensino superior completo ou superior, 12% são analfabetos funcionais. Outros 61% estão no outro extremo, no nível consolidado de alfabetização.

Desigualdades

Há também diferenças e desigualdades entre os diferentes grupos populacionais. Entre os brancos, 28% são analfabetos funcionais e 41% estão no grupo de alfabetização estabelecida. Entre a população negra, esses percentuais são de 30% e 31%, respectivamente. Entre a população amarela e indígena, 47% são analfabetos funcionais, e a menor proporção, 19%, possui alfabetização estabelecida.

Segundo Esmeralda Macana, coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, parceiro da pesquisa, é preciso garantir educação de qualidade para toda a população para reverter esse quadro, que ela considera preocupante. Ela também defende a ampliação da velocidade e do alcance das políticas e ações públicas:

“Precisaremos melhorar o ritmo em que as coisas acontecem porque já estamos em um ambiente muito mais acelerado, em meio a tecnologias e inteligência artificial”, diz ele.

Estaca

O INAF (Instituto Nacional de Estatística e Censos) foi realizado novamente após um hiato de seis anos. Este ano, 2.554 pessoas entre 15 e 64 anos participaram dos testes entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, em todas as regiões do país, para mapear as habilidades de leitura, escrita e matemática dos brasileiros. A margem de erro estimada varia entre dois e três pontos percentuais, dependendo da faixa etária analisada, com um intervalo de confiança estimado de 95%.

Este ano, pela primeira vez, são apresentados dados sobre alfabetização digital, com o objetivo de entender como as transformações tecnológicas impactam o cotidiano.

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